quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Carlos Frederick opina sobre temas atuais em entrevista


Carlos Frederick vem se despontando como um dos melhores advogados atuantes no Estado de Mato Grosso. Ele salienta que seu reconhecimento se deve aos inúmeros trabalhos prestados à sociedade. Em seu extenso curriculo, podemos destacar a atuação na defesa do Sindicato da Polícia Civil e, mais recentemente, optou por defender o delegado Márcio Pieroni. “O advogado é como um técnico de futebol, só permanece no cenário enquanto consegue obter bons resultados e esse é meu foco”, brinca Frederick.
 Confira a entrevista abaixo:
 O que a Polícia Civil obteve de ganhos com a última greve?
Carlos Frederick- Analiso essa questão de forma bem clara e não há como deixar de reconhecer a força do presidente do sindicato Cledison Gonçalves. Ele articulou e conseguiu firmar um teto de final de carreira inimaginável para a classe. O governo garantiu que até 2014 o salário final será de R$ 11 mil. Esse acréscimo chega a mais de 100% no salárial final.
Como avalia a postura do judiciário na greve da Polícia Civil?. Vale lembrar que a justiça determinou multas diárias e permitiu retaliações, inclusive o governo ameaçou de retirar as armas e as viaturas caso não retornassem às atividades.
Carlos Frederick-A postura do judiciário foi deprimente nesse caso. Eu entendo que foi antidemocrático, além de afrontar diretamente a jurisprudência do STF, já que a liminar que determinou a volta das atividades da categoria foi de uma teratologia inigualável, que eu jamais presenciei. Pergunto-me como um órgão, abaixo do Supremo, pode dizer que não há um direito à greve? Essas decisões só servem para gerar instabilidade no ordenamento jurídico brasileiro. Foi após essa liminar que o governador ameaçou os policiais.
O senhor criou um blog, onde comenta os principais fatos, inclusive político e judiciário. Porque mantêm essa ferramenta no ar?
Carlos Frederick- Eu sempre senti essa necessidade de falar e opinar sobre os desajustes sociais. A internet é uma importante ferramenta para se expressar. Há um ano eu escrevi um artigo, que inclusive ainda está no blog. Nesse texto eu afirmei que o crime de corrupção deveria ser classificado como hediondo. Hoje fico feliz de ver que o senador Pedro Taques levantou essa mesma bandeira e fico honrado por ter consciência que aqui no Estado quem levantou essa ideia fui eu. Tratando a corrupção como hediondo muita coisa pode melhorar no país, só pra se ter uma ideia, a pena para esse tipo de crime é cumprido em regime fechado. Um fato recente que me chocou pela grande impunidade foi o caso da deputada Jaqueline Roriz, isso prova que os parlamentares defendem um ao outro.
Como você avalia o governo Dilma Rousseff e Silval Barbosa?
Carlos Frederick- O governo federal tem me surpreendido positivamente. A presidente tem se portado de maneira firme, diferente do seu antecessor e isso é muito bom para o país. Já o governador do Estado eu até agora não consegui identificar a que ele veio. Não há como analisar o governo dele da posse até hoje, mas temos que analisar do governo Blairo Maggi até os dias atuais. As práticas são as mesmas, os nomes que comandam são os mesmos, a não ser os que se envolveram em escândalos que foram retirados de seus cargos por força da imprensa. Para mim, o atual governo é como um arroz sem sal.
Sobre o VLT, o senhor concorda com a escolha do governador?
Carlos Frederick- Concordo. O primeiro defensor dessa ideia inclusive foi o ex-deputado Bento Porto, que foi meu cliente. É justo que se diga isso. Ele tentou por diversas vezes implantar essa ideia. O BRT polui visualmente a cidade, precisamos enxugar o tráfego e reduzir a poluição na Capital.
Qual seu posicionamento sobre a concessão da Sanecap?
Carlos Frederick- Concordo também com a medida do Executivo, mas lamento que estejam usando essa melhoria para Cuiabá de forma tão politiqueira. Muitas vezes eu já critiquei a postura do prefeito Chico Galindo, mas dessa vez eu sou a favor da concessão da Sanecap. Temos que evoluir e prestar melhores serviços. Quando dizem que a água não é mais nossa eu discordo. Como não é mais nossa? A concessão pode ser rescindida a qualquer momento pelo poder público. Fico triste em ver pessoas fazendo do povo uma massa de manobra e usando essa medida para fins eleitoreiros. Quem está satisfeito com o abastecimento de água em Cuiabá? Tivemos anos de sofrimento e ninguém fez nada. Admiro o prefeito que teve coragem de chegar e dizer que esta era a única solução.
O senhor foi coordenador de campanha do candidato a vereador Cledison Gonçalves no último pleito. Como avalia os pré-candidatos à prefeitura para 2012. Alguns nomes figuram como certos na disputa, como Dorileo Leal, Guilherme Maluf, Mauro Mendes, Lúdio Cabral e Sérgio Ricardo.
Carlos Frederick- Esse cenário é o retrato da realidade que vivemos. Há uma vacância imensa em termos de lideranças em Cuiabá e no Estado. Temos três candidatos, o Dorileo, o Maluf e o Mauro, que na verdade são empresários. Não têm o conceito positivista de líder, que nasce da base e vem sendo moldado. O que mais buscou esse contato com a base é o Sérgio Ricardo, ele seria o franco favorito na minha opinião.
Tem pretensões de disputar a eleição da OAB ou uma eleição para algum cargo eletivo?
Carlos Frederick- Dizer que não, seria mentira. Qualquer advogado quer tem pretensões na carreira, deseja isso, mas agora não pretendo isso não, quem sabe mais para a frente. A política da OAB é muito complicada e estamos bem representados. Quanto a um cargo eletivo, também penso nisso, mas para o futuro. Tenho uma carreira para terminar de construir. Ano que vem tenho um compromisso já firmado com um grande amigo meu. Quero ajudar a eleger o Cledison como vereador, se Deus quiser. Eu não me preocupo tanto com a política enquanto carreira, se eu puder melhorar a vida dos que estão ao meu redor já fico satisfeito. O que me preocupa é ver que o povo está cada vez mais órfão.
Ana Adélia Jácomo
Estação Política

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